Em Delmiro Gouveia, homem que matou mulher a tiros por ter arranhado seu carro foi condenado a 14 anos de prisão
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| Foto.: Reprodução PC-AL |
O juri não foi fácil, mas a atuação do MPAL, munido de provas incontestáveis, levou o conselho de sentença a reconhecer a crueldade cometida contra Rosineide Maria, surpreendida na calçada, às 3h30, sem qualquer chance para defesa, um crime planejado, já que o autor, ao vê-la em estado de vulnerabilidade, foi em casa, pegou a arma e já chegou atirando.
“Fomos ao júri sustentar que o crime foi cometido com frieza, com recursos que impossibilitou a defesa da vítima, por um motivo fútil. A vítima tinha problemas psiquiátricos, o filho já havia se comprometido em arcar com as despesas em relação aos danos no veículo, mas, mesmo assim, por mero dano estético, o réu manteve o seu desejo de vingança e, friamente, como demonstram as imagens capturadas pela câmera, a executa com oito disparos. O Ministério Público nada mais fez do que cumprir o seu papel em defesa do maior e mais fundamental direito do cidadão, que é a vida. Essa será sempre a sua postura, a condenação foi sinônimo de justiça”, afirma o promotor de Justiça Paulo Henrique Prado, representante do MPAL no júri.
O Promotor de Justiça lembra que a data do julgamento foi simbólico: o correu no dia em que, na segunda guerra mundial, fora libertado o campo de concentração de Auschwitz, local onde barbáries contra minorias, inclusive contra pessoas com deficiências física e intelectual foram cometidos em nome de uma pseudo superioridade.
“Cada Julgamento que reafirma o valor absoluto da vida humana, especialmente a vida dos mais vulneráveis, é um ato de resistência a todas as formas de barbárie. É a Justiça dizendo, de forma clara, que a dignidade não é negociável e que nenhuma condição físcia, intelectual ou social retira de alguém o direito de existir e de ser protegido”, afirma Paulo Henrique Prado.
O caso
No dia 22 de março de 2025, durante surto psicótico, Rosineide Maria da Conceição Souza, de 48 anos, teria pego uma pedra e arranhado o veículo Celta, de cor vermelha, de propriedade do assassino. Porém tomando conhecimento da atitude da genitora, o filho de Rosineide prometera arcar com os reparos no carro, certo de que nada aconteceria com ela.
Na madrugada, o homem passou pelo local, viu que a mulher passando pela calçada, alvo fácil, armado, numa aparente tranquilidade, já efetuando os disparos. Rosineide foi assassinado com nove tiros à queima-roupa.
Após o assassinato, o autor empreendeu fuga com toda a família, no mesmo veículo, para o estado de Minas Gerais, sendo capturado em 3 de junho, numa grande mobilização que envolveu as polícias civis de Alagoas e daquele estado.
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Foto.: Redes Sociais
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