Pets não convencionais: legislação ambiental garante segurança jurídica para venda legalizada de animais silvestres em Alagoas
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| Foto. : IMA Alagoas |
Em Alagoas, é possível criar de forma legalizada um animal silvestre, seja ele nativo ou exótico, de espécies autorizadas nas legislações federal e estadual, em um ambiente doméstico controlado. Para possuir um chamado “pet não convencional”, é necessário fazer a aquisição em um criadouro comercial de animais devidamente licenciado pelo Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL).
Atualmente, no estado, existem 12 empreendimentos de fauna
nesta categoria que comercializam espécies diversas. No Brasil, Alagoas é
pioneiro ao possuir uma legislação própria que possibilita o cadastro e
obtenção de licença para as atividades de uso e manejo de fauna silvestre.
O consultor ambiental do IMA, João Vinícius, explica que
esses criadouros comerciais devem seguir uma série de critérios e procedimentos
para obter licença ambiental. “Esses empreendimentos apresentam um projeto
técnico relatando quais animais pretendem manter e como vão mantê-los, de modo
a seguir a legislação estadual para o uso da fauna”, apontou.
Assim como acontece com os zoológicos, as espécies recebidas
pelos criadouros vêm de outros empreendimentos de fauna ou por meio de
apreensões em ações de fiscalização executadas pelo órgão. Além disso, animais
resgatados e levados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas),
gerido pelo Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) junto ao Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), também
podem ser destinados para estes locais, desde que atendam à critérios técnicos.
O especialista explicou que os criadores trabalham com os
chamados “animais matrizes”, que são animais recebidos por não terem condições
de voltar à natureza, e que atuam na reprodução de filhotes. “Os filhotes
gerados recebem microchips ou anilhas com sua marcação própria e podem ser
devidamente comercializados”, reforçou.
O amor por pets não convencionais
Para a empreendedora gaúcha Raquel Guzinsk, o carinho pelos
animais vem desde a infância. Há quatro anos, ela trabalha como criadora de
pets convencionais, sobretudo por meio da comercialização de cães da raça
chihuahua.
Além de empreender, Raquel tem uma paixão por pets não
convencionais, criando em sua casa cobras, jabutis, peixes, abelhas sem ferrão
e alguns pássaros. Ela revelou que o afeto que sente é igual para os dois tipos
de animais de estimação.
“Acho que a gente pode ter o mesmo amor pelos pets não
convencionais, eles trazem o mesmo carinho. Para mim, são tão importantes
quanto os meus chihuahuas”, afirmou.
Raquel é um exemplo da tendência atual da criação de pets
não convencionais que tem sido cada vez mais comum no país. Ela reforçou a
importância de comprar os animais em locais devidamente licenciados pelos
órgãos competentes.
“É importante adquirir um animal legalizado porque sabemos
de onde ele veio, além de não incentivarmos o tráfico de animais”, destacou.
Empreender com segurança jurídica
Para o biólogo mineiro Tiago Lima, proprietário do Jiboias
Brasil e Animais Brasil, a legislação beneficia não só os criadores, mas todos
os cidadãos que querem criar um animal silvestre ou exótico dentro da lei.
Diferença animal silvestre e exótico
Animais silvestres são originários de um determinado
ecossistema local, ou seja, da fauna do país, enquanto os exóticos não são
nativos desse local e foram introduzidos por ações humanas.
Ele ressaltou que Alagoas vem se destacando no cenário por
atuar em várias frentes no combate ao tráfico de animais, sendo a regularização
dos criadouros uma delas.
“A gente, como criador, é ferramenta para atender uma
demanda da sociedade e Alagoas teve bastante sensibilidade em entender essa
demanda, seguindo recomendações internacionais”, explicou o empresário, que
atua no segmento de criadouros comerciais há 13 anos.
A partir da segurança jurídica proporcionada por meio da
legislação estadual para criadouros comerciais, Tiago resolveu abrir seu
criadouro no município de Maragogi, no litoral norte alagoano.
O empreendimento, especializado na criação e manejo de
lagartos, tartarugas e serpentes, é um dos espaços licenciados pelo Instituto
do Meio Ambiente de Alagoas (IMA).
Para Tiago, o pioneirismo do estado tem feito a diferença no
segmento. “A segurança jurídica para se empreender é fundamental, quanto maior
a estabilidade do empreendimento, maior a geração de empregos e conservação das
espécies”, apontou.
Além disso, ele pontuou a importância da legislação para a
atuação dos criadouros licenciados no auxílio da destinação de animais e
preservação de espécies de vida livre. “Hoje a maioria das espécies que foram
reintroduzidas com o manejo reprodutivo foram desenvolvidas em criatórios”,
destacou.
O especialista destaca que a aquisição de animais por meio
de empreendimentos licenciados permite o acesso à animais com procedência,
controle sanitário e toda legalidade exigida.
“Oferecemos toda orientação e suporte aos tutores para o
manejo adequado desses animais a partir de um manual de criação para que a
pessoa saiba tudo o que precisa para criar bem”, ressaltou.
Ajude-nos a fiscalizar
É importante pontuar que os empreendimentos de fauna em suas
diversas categorias devem seguir as normas estabelecidas e, em caso de
irregularidades, podem sofrer as penalidades de acordo com a legislação e até
mesmo perder a licença de funcionamento.
Caso desconfie de algum espaço que cuide de animais com
possível ilegalidade ou maus-tratos, o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA/AL)
deve ser acionado para fazer o resgate correto e devido encaminhamento. Para
denúncias ligue: (82) 3315-4325 ou entre em contato via WhatsApp: (82)
98833-5879.
Por Ascom IMA








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