Filme alagoano “Olhe Para Mim” é selecionado em edital do Governo de Alagoas

Foto.: Vanessa Mota/Divulgação

O cinema alagoano segue atravessando fronteiras e conquistando espaço no circuito audiovisual brasileiro. Selecionado no IV Prêmio de Incentivo à Produção Audiovisual em Alagoas, edital do Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), o longa-metragem “Olhe Para Mim”, de Rafhael Barbosa, fará sua estreia mundial na 15ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, que acontece de 4 a 13 de junho, na capital paranaense.

A produção integra a Mostra Competitiva Brasileira de Longas-Metragens do festival, um dos mais importantes do país, reunindo filmes de diferentes regiões do Brasil. Estrelado por Rejane Faria, Luciano Pedro Jr. e Ulisses Arthur, o filme é uma fantasia alegórica inspirada no imaginário popular às margens do Rio São Francisco.

Na trama, Marcelo vive há dez anos com a ausência da mãe, desaparecida durante a grande festa religiosa da cidade. Às vésperas de uma nova celebração, ele conhece Sandra e seu filho Ivan, dois viajantes misteriosos que o conduzem por uma jornada marcada por encontros sobrenaturais, memórias e experiências transcendentes.

As sessões de “Olhe Para Mim” no festival serão divulgadas em breve no site oficial do Olhar de Cinema.

A secretária de Estado da Cultura e Economia Criativa, Mellina Freitas, celebrou a presença do longa na mostra competitiva e falou sobre o crescimento do audiovisual alagoano.

 “Ver um filme alagoano estreando em um festival internacional tão importante mostra a força criativa dos nossos realizadores e o resultado dos investimentos feitos pelo Governo de Alagoas no setor audiovisual. O governador Paulo Dantas tem acompanhado de perto esse movimento que faz a cultura alagoana alcançar novos espaços no Brasil e no mundo”, afirmou.

O superintendente de Economia Criativa, Fomento e Incentivo à Cultura, Wyllyson Santos, também comentou a trajetória do longa e o significado da estreia.

 “Olhe Para Mim chega a um grande festival nacional levando um olhar muito próprio sobre o imaginário do nosso estado. É um filme que nasce a partir de políticas públicas culturais e que simboliza uma nova fase do audiovisual alagoano, com produções cada vez mais presentes nos principais espaços de circulação do país”, disse.

Produzido pela La Ursa Cinematográfica e distribuído pela Olhar Filmes, “Olhe Para Mim” foi contemplado em edital promovido pela Secult, em parceria com o programa Arranjos Regionais, do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e da Ancine. O longa marca a estreia de Rafhael Barbosa na direção de ficção em longa-metragem e entra para a história como a primeira produção ficcional realizada em Alagoas por meio de edital público a alcançar o circuito nacional, representando um marco para a produção local, que vem se destacando nos últimos anos com curtas-metragens nos principais festivais de cinema do Brasil.

Para Barbosa, o filme aborda a dimensão simbólica da maternidade para filhos queer. "Nosso protagonista, Marcelo, nunca descobriu os motivos do desaparecimento de sua mãe quando criança. Ele cresceu preenchendo o vazio com memórias inventadas e projeções mágicas da realidade. No filme, a mãe é representada com muitas faces, entre elas a 'rasga-mortalha’, uma entidade ancestral meio humana, meio pássaro, que busca as almas de seus filhos prometidos”, explica o cineasta, que também assina o roteiro, ao lado de Jasmelino de Paiva e Nivaldo Vasconcelos.

"Busquei construir uma narrativa para materializar o universo dos mitos que ouvia na infância. Histórias de assombração muito particulares do nosso entorno, da ancestralidade da nossa região. O filme persegue esses mitos, percorrendo lugares muito inspiradores, paisagens inexploradas do baixo São Francisco e do sertão, mostrando uma Alagoas mágica que ainda não foi vista pelo cinema brasileiro”, completa Barbosa.

As locações são um dos principais destaques da produção. Cerca de 70% das filmagens aconteceram em Penedo, cidade ribeirinha que integra a Rede de Cidades Criativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), na categoria cinema.

Além de Penedo, o longa rodou algumas de suas cenas mais importantes nas cidades de Belo Monte e Pão de Açúcar, no sertão alagoano, e na capital Maceió.

"O filme representa um enorme desafio para toda a equipe. Construir um universo fantástico implica um trabalho complexo de produção, direção de arte, caracterização, efeitos especiais, som, fotografia, iluminação e atuação”, explica o produtor executivo Felipe Guimarães.

“Enfim, todos os departamentos. Encarar essa ousadia numa produção de baixo orçamento só foi possível graças a um desenho de equipe muito certeiro, que aliou o talento de alguns dos mais experientes profissionais do cinema alagoano com nomes que têm ajudado a construir a história do cinema nordestino e brasileiro contemporâneo”, completa o produtor executivo.

A produção ainda conta com patrocínio da Lei Paulo Gustavo e do Magazine Luiza, por meio da Lei do Audiovisual, além do apoio das prefeituras de Penedo, Pão de Açúcar e Belo Monte. Aura do Nascimento, Ivana Iza, Ane Oliva, Flávio Rabelo, Eron Villar, Lucas Carvalho, Nilton Resende e o estreante mirim Hugo Ramires também estão no elenco.

 Sobre o diretor

Rafhael Barbosa é roteirista, diretor e produtor alagoano. “Cavalo”, seu primeiro longa-metragem, estreou no circuito comercial em 2021.  A fantasia alegórica “Olhe para Mim”(2026) marca sua estreia na direção de longas de ficção. O realizador também dirige o longa de animação  “Utopia”, com previsão de lançamento para 2027. Rafhael também atua como diretor de produção e produtor executivo em curtas e longas-metragens. Entre os principais trabalhos, produziu o curta Como Ficamos da Mesma Altura, de Laís Araújo, exibido no International Film Festival Rotterdam (IFFR) em 2020, e A Barca, de Nilton Resende, selecionado para o  42ª Festival de Havana.

É produtor do curta “O Mapa em que Estão os Meus Pés”, de Luciano Pedro Jr, filme que venceu o prêmio de melhor curta pelo júri da crítica no Festival de Gramado 2025, além de ser reconhecido como melhor contribuição artística no Festival Internacional de Cartagena das Índias. Em 2025, assinou a produção executiva dos longas-metragens "Treme Terra", de Werner Salles, e "Edifício Lygia", de Nilton Resende. Rafhael Barbosa também produz o longa-metragem em desenvolvimento ”Filhas do Mangue", de Stella Carneiro, projeto apresentado em forma de pitching no Festival de Cannes, em maio de 2025, e vencedor do prêmio Horizonte de Melhor Projeto de Longa-metragem no Brasil CineMundi 2025. É membro da APAN - Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro desde 2021.

Por Secom Alagoas 


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