Advogada alagoana lança livro sobre padrões do feminicídio e desafios no enfrentamento da violência contra mulheres

Foto. : Assessoria 

Em 2025, 1.568 mulheres foram assassinadas no Brasil por razões de gênero, o maior número da última década. Por trás desses crimes, há padrões que se repetem e ajudam a entender por que a violência persiste. É a partir dessa análise que a advogada e pesquisadora Anne Caroline Fidelis de Lima lança, no próximo dia 20 de maio, na sede da OAB Jacarecica, em Maceió, o livro O Padrão do Feminicídio: Um Estudo Configuracional dos Assassinatos de Mulheres em Maceió, Alagoas.

A obra é resultado da pesquisa de mestrado em Sociologia desenvolvida pela autora na Universidade Federal de Alagoas e apresenta uma análise aprofundada sobre os assassinatos de mulheres na capital alagoana. O estudo propõe uma leitura que vai além da descrição dos casos, identificando padrões estruturais, institucionais e culturais que atravessam a violência letal contra mulheres.

Padrões que se repetem

Ao analisar dados anteriores à tipificação do feminicídio no Brasil, a pesquisa mostra que as dinâmicas de gênero já estavam presentes de forma consistente nos crimes. O livro também aponta falhas na investigação, invisibilização das vítimas e um cenário marcado por recorrente impunidade.

“O livro não trata apenas de casos isolados, mas de um padrão que revela como a violência contra mulheres se estrutura e se perpetua. É um convite à reflexão, mas também à responsabilização institucional e social”, afirma a autora.

Falhas que mantêm a violência

Para Anne Caroline, entender o feminicídio exige olhar para além dos números e encarar como as instituições respondem ou deixam de responder a esses crimes. “Quando a gente observa esses casos de forma conjunta, percebe que existem falhas que se repetem. Não é só sobre o crime em si, mas sobre o que acontece antes e depois dele, e como isso contribui para que a violência continue acontecendo”, destaca.

A pesquisadora aponta que a ausência de respostas eficazes do Estado reforça um ciclo de impunidade e mantém a violência em funcionamento, evidenciando a necessidade de uma abordagem feminista e interseccional.

Violência naturalizada

Segundo a autora, há uma tendência social de minimizar ou normalizar a violência de gênero, o que contribui diretamente para a sua continuidade. “A violência contra mulheres foi naturalizada a tal ponto que só choca quando termina em morte. E, ainda assim, muitas vezes se tenta justificar o crime, deslocando a culpa para a vítima. Isso também faz parte do problema”, afirma.

“Quando os casos começam a se repetir do mesmo jeito, com os mesmos perfis e contextos, não dá mais para dizer que são exceções. Existe um padrão e ignorar isso é permitir que ele continue”, completa.

A pesquisadora reforça que a repetição de características nos casos analisados evidencia a existência de padrões estruturais, o que exige respostas mais eficazes do poder público no enfrentamento ao feminicídio.

SERVIÇO:

Lançamento do livro O Padrão do Feminicídio

Data: 20 de maio de 2026

Horário: 19h

Local: Sede da OAB/AL – Jacarecica, Maceió

Por Raíssa França 

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