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Morte de Delmiro Gouveia completa 101 anos nesta quarta-feira, 10, conheça a história do Pioneiro

Imagem montagem Adalberto Gomes
Nesta quarta-feira, 10 de outubro,  faz 101 anos  da morte de Delmiro  Augusto da Cruz Gouveia, um nordestino,  que sonhou com um Nordeste industrializado e desenvolvido. Ele  foi assassinado aos 54 anos a tiros no dia 10 de outubro de 1917,  em frente ao seu chalé, perto da Fábrica da Pedra, na época  Povoado de Pedra. Em  14 de fevereiro de 1954, o Distrito de Pedra foi emancipado e recebeu o nome de Delmiro Gouveia em  homenagem a Delmiro  Augusto da Cruz Gouveia.

Em 5 de junho de 1863, na Fazenda Boa Vista, localizada no município de Ipú, no Ceará, nascia  Delmiro Augusto da Cruz Gouveia, filho do cearense Delmiro Porfírio de Farias e da pernambucana Leonila Flora da Cruz Gouveia. Com o falecimento de seu pai na Guerra do Paraguai, Delmiro Gouveia foi morar em Pernambuco, estabelecendo-se na cidade de Goiana, no ano de 1868, e em Recife, a partir do ano de 1872.

Em 1878, com a morte de sua mãe, Delmiro Gouveia iniciou a sua vida profissional como condutor e bilheteiro do bonde que fazia o trajeto entre Apipucos e Recife. Posteriormente, em 1881, passou a trabalhar como despachante em um armazém de algodão.

Em 1883, casado com Anunciada Candida, filha do tabelião da cidade pernambucana de Pesqueira, Delmiro Gouveia resolveu ingressar no comércio de couros de cabra e bode.  Logo obteve sucesso com a nova profissão, passando a incomodar os seus concorrentes com a prática de preços baixos e com uma forte influência no mercado, sendo, inclusive, intermediador de negociações entre comerciantes locais e empresas de exportação.

Em 1892, Delmiro Gouveia passou a atuar como gerente da filial de um curtume americano, onde outrora foi empregado.  Em 1898, tendo como referência à Feira Internacional de Chicago realizada em 1893, Delmiro Gouveia inaugurou o Mercado do Derby, no centro de Recife, que era um moderno centro de comércio, serviços e lazer, edificado em uma área de 129 metros de comprimento, com hotel, velódromo, pavilhão de diversões e 264 boxes para a comercialização de produtos.

Em 1899, Delmiro Gouveia assumiu a direção da Usina Beltrão e passou a ter conflitos políticos, envolvendo-se, inclusive, com a filha bastarda do governador de Pernambuco, Sigismundo Gonçalves, um de seus opositores.

Na eleição do ano de 1899, embora não tenha sido candidato, Delmiro Gouveia percorreu o interior de Pernambuco em campanha eleitoral, acirrando ainda mais a oposição que fazia a um poderoso grupo situacionista, então liderado pelo vice-presidente da República Rosa e Silva, que exerceu o controle da política em Pernambuco de 1896 a 1911.

No dia 2 de janeiro de 1900, o Mercado do Derby foi criminosamente incendiado, dando ensejo a uma nova fase na vida do empreendedor, que passou a ter como cenário o estado de Alagoas. E este novo momento começou no povoado da Pedra, localizado no sertão alagoano, em uma estratégica área de fronteira com os estados de Pernambuco, Sergipe e Bahia. Na época, a estrutura da região era muito precária, sem abastecimento de água e com a presença, apenas, de uma estação da Ferrovia de Paulo Afonso e de algumas casas de taipa.

Já separado de sua esposa, que resolveu retornar a casa dos pais, Delmiro Gouveia passou a viver com a filha do governador de Pernambuco, Carmela Eulina do Amaral Gusmão, união que resultou no nascimento dos filhos Noêmia, em 1904, Noé, em 1905, e Maria Augusta, em 1907.
Em 1903, Delmiro Gouveia adquiriu a Fazenda da Pedra, no sertão de Alagoas, e reiniciou a sua vida profissional, novamente atuando no comércio de couros de cabra e bode.

Assim como ocorreu em Pernambuco, seu novo empreendimento em Alagoas prosperou, transformando significativamente a região e criando um novo centro comercial de couros. Em 1909, Delmiro Gouveia já tinha refeito a sua fortuna, retomando a liderança nos negócios.  Seus adversários políticos chegaram a questionar, em Recife, a probidade de seus empreendimentos, o que deu ensejo à seguinte resposta de Delmiro Gouveia:

    “Si elles tivessem no sangue, nos nervos, nas faces, vergonha, e no organismo alguma coisa de energia e sentimento, deviam orgulhar-se de haver um homem do povo, pobre porém trabalhador, capaz de mostrar-lhes com exemplos que quem lucta pela vida com honradez, actividade e perseverança, póde conseguir uma posição na sociedade e, em vez de andarem pelas ruas, cafés, trens e esquinas empregando-se na maledicência, podiam dedicar-se ao trabalho proveitoso, que nobilita o homem e dá-lhe sempre o direito de confundir seus inimigos gratuitos”.

Delmiro Gouveia, diante do potencial energético da Cachoeira de Paulo Afonso, iniciou a construção da primeira usina hidrelétrica do Brasil. Em 1913, após dois anos de trabalho, a Usina de Angiquinho foi inaugurada. Ele também viabilizou a construção de uma vila operária, escolas, estradas e o fornecimento gratuito de água e energia para a região do Povoado da Pedra. Em 1914, Delmiro Gouveia construiu uma fábrica  que tinha a marca Estrela de carretéis de linha como selo da Companhia Agro Fabril Mercantil  (razão social da empresa) na época da sua fundação, para a produção de fios e linhas de costura, que utilizava a energia da Usina de Angiquinho e empregava 2.000 operários brasileiros. A fábrica tornou-se referência na época, passando a comercializar seus produtos no Brasil e a exportar para o Peru e o Chile.

Toda a ascensão de Delmiro Gouveia, que não só trazia benefícios para ele, como também para a população local, passou a ser uma ameaça para o “coronéis” da região. A poderosa fábrica inglesa Machine Cottons, que também produzia fios e linhas de costura, passou a pressionar o irredutível Delmiro Gouveia em busca da aquisição de sua fábrica.

No dia 10 de outubro de 1917, às 20h30, em frente ao seu chalé, perto da Fábrica Companhia Agro Fabril Mercantil , Delmiro Gouveia foi assassinado com três tiros, aos 54 anos de idade.
  Antiga Praça Delmiro Gouveia, local onde  Delmiro Augusto da Cruz Gouveia, foi morto, hoje no local está sendo construído um Memorial /Imagem Adalberto Gomes
A morte do empresário cearense Delmiro Gouveia,  radicado no sertão alagoano, abalou a sociedade da época. O comando da Fábrica foi assumido pelo sócio italiano Lionelo Iona e Adolpho Santos até 1924. Pouco tempo depois, os destinos da indústria são passados para o filho de Delmiro Gouveia, Noé. Nesse período, desaparece a linha Estrela e a Fábrica foca a produção propriamente na indústria têxtil.

Em 1926, a  Companhia Agro Fabril Mercantil é vendida ao grupo empresarial pernambucano Irmãos Menezes e Cia, administrado pela família Lacerda de Menezes. Este grupo manteve-se a frente do empreendimento até 1986. Neste ano, a Fábrica foi vendida ao grupo Cataguases Leopoldina do empresário mineiro Ivan Müller Botelho, passando a chamar-se Multi Fabril Nordeste S/A.

Em 1992, a Multi Fabril Nordeste S/A, foi vendida ao grupo empresarial alagoano Carlos Lyra, com quem permanece até hoje com a denominação Fábrica da Pedra S/A - Fiação e Tecelagem. O Grupo Carlos Lyra apostou e investiu na aquisição de modernos equipamentos de última geração para a fiação “open-end” e os teares de pinça e a jato de ar, para a tecelagem.

Crise 

A crise na Fábrica da Pedra começou em março de 2016, devido a um débito de energia com a Eletrobras, valor esse que segundo a diretoria da empresa seria de R$ 1,265.000,00. O não pagamento deste débito ocasionou o desligamento da energia e suas atividades foram paralisadas temporariamente. Para tentar pagar o débito, a direção da Fábrica solicitou junto a Eletrobras um acordo parcelando o valor em 36 vezes, mas a Eletrobras não aceitou  e com isso agravou ainda mais a situação da empresa.

A Fábrica possuía um quadro com cerca de 583 funcionários, muitos tiveram férias coletivas devido a paralisação. Em dezembro de 2016, a direção da empresa resolveu demitir cerca de 150 funcionários, agravando ainda mais a crise, já que não estava mantendo condições financeiras para manter os funcionários na empresa.

Devido a todas essas questões, funcionários, ex-funcionários, comerciantes, estudantes e a sociedade delmirense realizaram várias manifestações em protesto contra o não fechamento da Fábrica da Pedra. As manifestações foram realizadas em frente à Fábrica da Pedra, na sede da Eletrobras e pelas ruas de Delmiro Gouveia.

Fechamento da Fábrica

Em 23 de janeiro de 2017, funcionários, ex-funcionários da Fábrica da Pedra, estudantes e a população delmirese estiveram reunidos em frente à guarita da Fábrica da Pedra, realizando um ato de manifestação contra o fechamento da Fábrica da Pedra.

Os funcionários utilizaram cartazes cobrando das autoridades uma solução para que a Fábrica possa funcionar normalmente, emocionados ouviram o hino de Delmiro Gouveia e do Brasil. Ainda em  frente da Fábrica, fizeram um círculo e rezaram de mãos dadas, logo depois percorreram a avenida Castelo Branco, passando pela Câmara de Vereadores, pela Prefeitura Municipal de Delmiro Gouveia até à frente da Fábrica da Pedra, durante a caminhada foram pedidos para que os comerciantes baixassem as portas dos comércios em solidariedade a manifestação.

Memorial em homenagem a Delmiro Augusto da Cruz Gouveia

O Memorial está sendo construído na Praça Delmiro Gouveia (Praça do Cruzeiro como é mais conhecida), local onde Delmiro Gouveia viveu e foi assassinado no dia 10 de outubro de 1917. O prédio  terá sala multimídia para a exibição de filmes e documentários, sala de exposição permanente sobre  a vida de Delmiro Augusto da Cruz Gouveia, sala para reuniões e uma estátua em tamanho natural, reproduzindo o último momento de vida de Delmiro Gouveia. 

O Memorial está em fase de conclusão e sua inauguração está prevista para 2019.
Imagem ilustrativa do Memorial/Imagem Prefeitura de Delmiro Gouveia
Confira a programação desta terça-feira, 10 em homenagem a Delmiro Augusto da Cruz Gouveia, que será realizada pela Prefeitura Municipal de Delmiro Gouveia.

09h –  Auditório das Rádios Delmiro

Abertura da Exposição Intinerante Museu de Arqueológia de Xingó

Entrega das medalhas da OBMEP aos alunos da rede municipal de ensino

Apresentação do Coral Dedos de Mágicos

Apresentação Musical de Sandrinho Hígino

16h - Desfile com crianças atendidas pela rede de acompanhamento Secretária de Assistência Social.

17h - Apresentação da Orquestra Municipal Tenente José Nicácio, em frente à Câmara de  Vereadores.

Por Redação Blog Adalberto Gomes Notícias

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