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Delmiro Augusto da Cruz Gouveia completaria nesta quarta-feira (05), 156 anos de idade

Imagem Imprensa Oficial Graciliano Ramos
Nesta quarta-feira, (05),  é comemorado a  data de aniversário do cearense  Delmiro Augusto da Cruz Gouveia, que se estivesse vivo completaria 156 anos de idade. Além do seu aniversário  é comemorado os 105  anos de existência do prédio antigo da Fábrica da Pedra, construído por Delmiro Gouveia, e inaugurado no dia 05 de junho de 1914 no Povoado da Pedra, hoje município de Delmiro Gouveia, sertão de ALagoas.

Ele nasceu no dia  05 de junho de 1863, na Fazenda Boa Vista, no município de Ipú, no Ceará. Era filho do cearense Delmiro Porfírio de Farias e da pernambucana Leonila Flora da Cruz Gouveia. Com o falecimento de seu pai na Guerra do Paraguai, Delmiro Gouveia foi morar em Pernambuco, estabelecendo-se na cidade de Goiana, no ano de 1868, e em Recife, a partir do ano de 1872.

Com a morte de sua mãe, em  1878, Delmiro Gouveia iniciou a sua vida profissional como condutor e bilheteiro do bonde que fazia o trajeto entre Apipucos e Recife. Posteriormente, em 1881, passou a trabalhar como despachante em um armazém de algodão.

No ano de  1883, casado com Anunciada Candida, filha do tabelião da cidade pernambucana de Pesqueira, Delmiro Gouveia resolveu ingressar no comércio de couros de cabra e bode.  Logo obteve sucesso com a nova profissão, passando a incomodar os seus concorrentes com a prática de preços baixos e com uma forte influência no mercado, sendo, inclusive, intermediador de negociações entre comerciantes locais e empresas de exportação.

Delmiro Gouveia em 1892 passou a atuar como gerente da filial de um curtume americano, onde outrora foi empregado.  Em 1898, tendo como referência à Feira Internacional de Chicago realizada em 1893, Delmiro Gouveia inaugurou o Mercado do Derby, no centro de Recife, que era um moderno centro de comércio, serviços e lazer, edificado em uma área de 129 metros de comprimento, com hotel, velódromo, pavilhão de diversões e 264 boxes para a comercialização de produtos.

Em 1899, Delmiro Gouveia assumiu a direção da Usina Beltrão e passou a ter conflitos políticos, envolvendo-se, inclusive, com a filha bastarda do governador de Pernambuco, Sigismundo Gonçalves, um de seus opositores.

Na eleição do ano de 1899, embora não tenha sido candidato, Delmiro Gouveia percorreu o interior de Pernambuco em campanha eleitoral, acirrando ainda mais a oposição que fazia a um poderoso grupo situacionista, então liderado pelo vice-presidente da República Rosa e Silva, que exerceu o controle da política em Pernambuco de 1896 a 1911.

No dia 2 de janeiro de 1900, o Mercado do Derby foi criminosamente incendiado, dando ensejo a uma nova fase na vida do empreendedor, que passou a ter como cenário o estado de Alagoas. E este novo momento começou no povoado da Pedra, localizado no sertão alagoano, em uma estratégica área de fronteira com os estados de Pernambuco, Sergipe e Bahia. Na época, a estrutura da região era muito precária, sem abastecimento de água e com a presença, apenas, de uma estação da Ferrovia de Paulo Afonso e de algumas casas de taipa.

Já separado de sua esposa, que resolveu retornar a casa dos pais, Delmiro Gouveia passou a viver com a filha do governador de Pernambuco, Carmela Eulina do Amaral Gusmão, união que resultou no nascimento dos filhos Noêmia, em 1904, Noé, em 1905, e Maria Augusta, em 1907.

Em 1903, Delmiro Gouveia adquiriu a Fazenda da Pedra, no sertão de Alagoas, e reiniciou a sua vida profissional, novamente atuando no comércio de couros de cabra e bode.

Assim como ocorreu em Pernambuco, seu novo empreendimento em Alagoas prosperou, transformando significativamente a região e criando um novo centro comercial de couros. Em 1909, Delmiro Gouveia já tinha refeito a sua fortuna, retomando a liderança nos negócios. 

Delmiro Gouveia, diante do potencial energético da Cachoeira de Paulo Afonso, iniciou a construção da primeira usina hidrelétrica do Brasil. Em 1913, após dois anos de trabalho, a Usina de Angiquinho foi inaugurada. Ele também viabilizou a construção de uma vila operária, escolas, estradas e o fornecimento gratuito de água e energia para a região do Povoado da Pedra. Em 1914, Delmiro Gouveia inaugurou uma  fábrica  que tinha a marca Estrela de carretéis de linha como selo da Companhia Agro Fabril Mercantil   na época da sua fundação, para a produção de fios e linhas de costura, que utilizava a energia da Usina de Angiquinho e empregava 2.000 operários brasileiros. A fábrica tornou-se referência na época, passando a comercializar seus produtos no Brasil e a exportar para o Peru e o Chile.

Toda a ascensão de Delmiro Gouveia, que não só trazia benefícios para ele, como também para a população local, passou a ser uma ameaça para o “coronéis” da região. A poderosa fábrica inglesa Machine Cottons, que também produzia fios e linhas de costura, passou a pressionar o irredutível Delmiro Gouveia em busca da aquisição de sua fábrica.

No dia 10 de outubro de 1917, às 20h30, em frente ao seu chalé, perto da Fábrica Companhia Agro Fabril Mercantil , Delmiro Gouveia foi assassinado com três tiros, aos 54 anos de idade.

Local onde Delmiro Gouveia foi assassinado/Imagem Adalberto Gomes
Memorial em homenagem a Delmiro Augusto da Cruz Gouveia

O Memorial em homenagem a Delmiro Augusto da Cruz Gouveia foi  construído na Praça Delmiro Gouveia (Praça do Cruzeiro como é mais conhecida), local onde Delmiro Gouveia viveu e foi assassinado no dia 10 de outubro de 1917.

A obra do Memorial, teve sua ordem de construção assinada pelo governador Renan Filho (MDB), Deputado Federal Paulão (PT) e o prefeito Padre Eraldo (PSD), no dia 18 de março de 2017. A obra foi iniciada no dia 04 de maio de 2017 e finalizada no dia 12 de fevereiro de 2019. Sua inauguração ocorreu no dia 14 de fevereiro de 2019, durante a s comemorações   de  65 anos da Emancipação Política do Município.

Imagem Adalberto Gomes
Por Redação Blog Adalberto Gomes Notícias

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